Pergunte a E. Jean: Meu namorado quer que eu faça a barba lá

Caro E. Jean: Tenho 26 anos, sou sócio de um estúdio de design, determinado, atraente e sensual. Ontem terminei com meu namorado inteligente e estável porque ele só quer sexo uma vez por mês - e mesmo assim não há preliminares. Depois que expliquei a ele que preciso me sentir desejada e precisar de romance, ele apareceu esta manhã com um 'presente'.

Qual foi o presente? Um saco de papel higiênico, creme de barbear e lâminas de barbear. E lenços umedecidos porque, diz ele, 'são muito melhores do que papel higiênico, e eu sempre me sinto muito mais limpo'.

VOCÊ ESTÁ BRINCANDO COMIGO??!! Eu digo a ele muito especificamente como me fazer sentir desejada, e ele me traz produtos para limpar minha bunda. O que eu tenho que fazer? Devo dar outra chance a esse cara ou desistir dele para sempre? —Hate to Lose a Good Man



Senhorita Good Man, My Luv: Seu cara me lembra o inglês John Ruskin, o grande crítico de arte vitoriano. Ele se casou com Effie Gray, uma das mulheres mais bonitas da Grã-Bretanha. O pobre Ruskin - que, como o Humbert Humbert de Nabokov, gostava de meninas - passara tanto tempo estudando estátuas gregas que, quando chegou sua noite de núpcias, ficou chocado ao ver que Effie tinha pelos púbicos.

O fenômeno Effie pode explicar o dom da lâmina e do creme de barbear para o seu pobre idiota. Ele não gosta dos apetrechos eróticos de uma mulher adulta. E os lenços umedecidos? Ele detesta o cheiro de uma mulher. Livrar-se dele. Ele ficaria mais feliz com a Vênus di Milo. (E, sim, Effie Gray divorciou-se de Ruskin e fugiu com seu protegido, o ousado pintor John Everett Millais.)

Esta carta é dos arquivos de E. Jean.